P.O.V Sabrina
Acordei com a luz do sol invadindo meu quarto. Sim, eu deixei as cortinas abertas, denovo. Comecei a sentir um cheiro de panquecas sendo feitas na cozinha, o que só pode ser ilusão, porque eu estou sozinha em casa. Desci as escadas, curiosa em saber de onde estava vindo esse cheiro, e me deparei com um homem na frente do fogão. Não identifiquei quem era de cara, mas depois...
-Pai?-disse ainda tentando adaptar meus olhos à luz do ambiente.- PAPAI!- corri em direção à ele e abracei-o bem forte.
-Cuidado filha, as panquecas vão acabar queimando. – disse com um sorriso divertido nos lábios.
-Engraçadinho... Por onde você andou? Eu senti sua falta. – fiz biquinho e abaixei a cabeça.
-Ah, eu estava viajando de férias, com sua “outra mãe” e seu irmão.
-Como assim? E nem me chamou?- abri a geladeira em busca de algo para acalmar meu estômago.
-Filha você sabe como eu sou... Não tenho tempo para avisos... – ele jogava as panquecas para cima, dando uma de “profissional” quando se trata disso.
Por que eu estava com a leve impressão de que meu pai tinha esquecido de mim? Ou que ele não queria ficar por perto quando eu mais precisei? Hum, acho que talvez não fosse isso... Ou ele não queria mesmo que eu fosse... É melhor deixar pra lá. Me sentei na cadeira, esperando ansiosamente as panquecas ficarem prontas. Derrepente, surgiu Caroline, minha madrasta, entrando na cozinha. Não me dou muito bem com ela, mas me esforço ao máximo para gostar um pouco dela, apesar de não apoiar muito ela com o meu pai.
-Bom dia Simon. – disse dando um selinho em meu pai, eca.
-Que nojo mãe... – disse Carlos, meu irmão mais novo entrando logo em seguida na cozinha e se sentou do meu lado. Caroline não é sua mãe, mas ele passou tanto tempo com ela que é como se fosse. Na separação, foi combinado que meu pai ficava com ele, e minha mãe ficava comigo.- E aí cara de bode?
-Olha quem fala, pirralho.- disse enquanto bagunçava seu cabelo.
-Aí? Não bagunça meu cabelo, demorei para deixar ele assim.- ele passava as mãos no local, tentando ajeitar.
-Ui, desculpa estressadinho.
-Então Sabrina, como foi a viajem? – disse Caroline, tentando parecer interessada.
-Ah... Foi boa... Menos a parte de eu ficar plantada no aeroporto esperando alguém vir me buscar.
-Trouxe presentes? – falou Carlos, bem animado.
-Desculpa filha, você sabe que eu teria ido. E então... Como está indo na escola? – disse finalmente pondo as panquecas na mesa.
-Tá indo bem... Menos o fato de um garoto ficar dando em cima de mim todos os dias, tirando isso, tá tudo bem. E sim Carlos, trouxe presentes para você na minha mala.
-Hum, que garoto é esse?- falou Caroline, curiosa.
-Tenha cuidado filha, os garotos de hoje em dia só querem uma coisa... Se é que me entende.
-Pai!- senti minhas bochechas corarem. – o Carlos ainda não sabe dessas coisas...
-Quem disse que eu não sei?
-Como é?- falei surpresa.
-Ah... Nós já conversamos sobre isso com ele... Você não respondeu minha pergunta, quem é o sortudo?- disse Caroline, insistindo no assunto.
-Sortudo nada, eu não quero ficar com ele. É o Harry, mora aqui do lado.
-É isso aí filha, não quero que você sofra por esse tal de Réuri, graças a deus você é inteligente.
-Hum, já entendi, tá se fazendo de difícil para deixá-lo mais interessado né?- disse Caroline, trocando olhares cumplices com meu pai.
-Parem os dois! Eu não quero ficar com ele, ele já ficou com todas as garotas daquele colégio, eu não quero ser mais uma. – larguei tudo que estava fazendo e me levantei com raiva.
-Uau, filosofiou maninha. – disse Carlos, enquanto passava manteiga derretida na panqueca.
-Até você Carlos?- revirei os olhos.
-Filha minha não namora pegador, não mesmo. – acrescentou meu pai.
-É... Eu odeio ele.
-Hummmmm, isso tá me cheirando a romance, minha irmã tá apaixonada lalalala. – falou cantarolando e fazendo caretas.
-Eu não tô apaixonada, isso só vai acontecer no dia em que os porcos voarem.
-Já terminou de comer?
-Já, agora vou voltar para o meu quarto e ler um pouco. – falei já indo em direção à escada.
É, minha família é assim mesmo, um bando de malucos bipolares (ok, isso sou mais eu). Me joguei na cama e peguei o livro Querido John. “Finalmente compreendi o que o verdadeiro amor significa (...) O amor significa pensar mais na felicidade da outra pessoa do que na própria, não importa quão dolorosa seja sua escolha.” Fiquei lendo e relendo esse verso, suspirando profundamente, fazendo o som ecoar pelo meu quarto vazio. Fiquei pensando em como seria amar uma pessoa de verdade, como seria viver um romance das histórias que eu leio, como seria ter um amor verdadeiro, desejando que isso aconteça comigo um dia.
P.O.V Liam
Hoje é sábado. Tinha prometido à Juliana que eu ia ensiná-la biologia à minha burrinha favorita. Marcamos de nos encontrar no Starbucks. Eu, como um homem pontual de Londres, cheguei cedo e fiquei esperando ela chegar. Uma hora depois, entrou no estabelecimento uma pessoa, que estava segurando uma montanha de livros e usava botas cor bege. Ainda dúvida se é ela?
-Será que dá pra me ajudar aqui?
-Claro,- peguei alguns livros e pus em cima da mesa- pra que tudo isso? Quer morrer estudando?
-Pra você me ajudar a entender o assunto né inteligência. – falou enquanto se sentava na cadeira à minha frente.
-Hum, ok né. – me sentei na mesa novamente e abri um dos livros que ela trouxe.- Bom, vamos começar.
Eu ensinava a ela calmamente cada assunto e ela prestava atenção atentamente em cada palavra que eu dizia. Sempre tenho que dar essas aulas pra ela, já que ela não presta atenção na aula e só fica conversando...
-E fim.
-Só isso?- disse em tom de brincadeira.
-É, agora é sua vez de me explicar tudo que eu acabei de dizer.
-Ér... Vamos lá. Os vírus são seres muito simples e pequenos (medem menos de 0,2 µm), formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que, dependendo do tipo de vírus, pode ser o DNA, RNA ou os dois juntos (citomegalovírus). A palavra vírion ou víron é usada para se referir a uma única partícula viral que estiver fora da célula hospedeira.- Ela me explicou esse assunto e mais outros, tudo certinho. Sou um ótimo professor, sim ou claro?
-Parabéns, você está ficando inteligente!- disse com um sorriso irônico nos lábios. – Sou o melhor professor do mundo, admita.
-Só que não. – fez uma pausa e olhou para mim. – Papo idiota, obrigado.
-Como é? Eu não ouvi direito.
-Liam, por que toda vez que eu falo alguma coisa, você me pede pra repetir? Parece até que é surdo.
-Porque é legal ver o quanto eu sou superior à você.
-Engraçadinho.- disse dando um gole do café logo em seguida.
-Um engraçadinho que é mais inteligente que você, com certeza.
-É pow, claro.- disse revirando os olhos e rindo.
Tomamos café enquanto conversávamos sobre nossas vidas. Ela me contava animadamente o quanto estava ansiosa para o concurso de talentos que haveria no final do ano. Juliana é um ótima cantora, treina todos os dias, e não só no chuveiro como a maioria das pessoas. Ela nunca se apresentou para uma plateia, esse ano vai ser a sua primeira vez.
-Sabe, um dia eu ainda vou ser famosa, vou ser como as cantoras que fazem sucesso hoje, como Lady Gaga.
-Então você quer ser uma cantora doida que usa um vestido feito de carne?
-Não nesse sentido né... – ela riu – tô falando de voz, de sucesso, minha música número um em todas as rádios...
-Claro, você canta muito bem.
-E você Liam, o que quer fazer da vida?
-Eu ainda não sei... Talvez eu seja bombeiro.
-Bombeiro?- disse tentando não cuspir o café com o susto.
-É, eu gosto de ajudar as pessoas.
Com certeza ela deve ter pensado merda quando eu disse isso, ela só faltava explodir de tanto rir, e rir alto.
-Vai apagar o fogo de quem? – ela deu uma gargalhada tão alta depois disso que todos na Starbucks olharam para nós.
-Juliana... E sua mãe ainda acha que você é santa...
Ela não parava de rir da minha cara, até a garçonete veio pergunta se estava tudo bem, ela já estava sem fôlego de tanto rir, só faltava chorar. Ela ria tanto que mal conseguia falar, ela assentiu para a moça com a cabeça. Ela parecia mesmo que ia explodir, pedi um copo de água e joguei na cara dela.
-Por que você fez isso?- falou recuperando o fôlego.
-Ué, você só faltava explodir de tão vermelha, então eu apaguei teu fogo. Eu e todos aqui já estávamos ficando com medo, sério.
-Bom Bombeiro Payne, parabéns por estragar minha blusa nova, eu tô morrendo de frio.
-Não tem problema, eu te empresto meu casaco. – antes de ela responder eu já estava com o casaco nas mãos.
Ela pôs o casaco por cima da sua blusa, que estava completamente encharcada. Saímos da Starbucks e ficamos andando pelas ruas de Londres, com todos aqueles livros nas mãos. Eu a deixei em frente da sua casa e a abracei. Só fui embora quando ela já estava segura dentro de sua casa acenando para mim lá de dentro. Sou um cara muito protetor, principalmente com a minha melhor amiga.
P.O.V Natalie
Eu, Catarine e Bella marcamos de ir no shopping fazer aquelas ‘’comprinhas’’ que toda pessoa faz em um sábado. Tudo que chamasse a atenção de Catarine, ela entrava na loja e comprava. Já Bella, nem se fala em seu fetiche por sapatos, saia comprando todos que via pela frente, eu fazia o mesmo, só que um pouco mais moderada que as duas. Resultado: nós três tínhamos tantas sacolas nas mãos que mal conseguíamos andar direito.
-Olha esse sapato... Cara o mais lindo que eu já ví, VOU COMPRAR. – disse entrando na loja.
-NÃO. – eu e Catarine falamos em coro.
-Ah... Mas por quê?
-Bella, você já comprou vários sapatos, de vários tipos, e disse a mesma coisa de todos eles “ Olha esse sapato... Cara o mais lindo que eu já ví, VOU COMPRAR”. Dava pra abrir uma loja com todos os sapatos que você comprou. – disse Catarine.
-E meus braços estão doendo. Eu preciso descansar... – resmunguei.
-Aff, vocês duas são umas resmungonas mesmo, vinheram pro shopping pra ficar reclamando. – Bella retrucou.
-Olha pra sua mão. Tem pelo menos umas 25 sacolas em cada uma.- falei apontando para suas mãos, fazendo- a direcionar o olhar para lá.
-Mas...
-Vamos logo, comprar tanta coisa me deixou com fome. – me direcionei à escada rolante e elas fizeram o mesmo.
Fomos na Mc Donalds e compramos 3 Quarteirões ( é o nome do sanduiche, não tô falando de rua) e um Mc chicken caso eu ainda estivesse com fome depois de devorar meu quarteirão. Eu acabei o meu sanduiche primeiro, em questão de segundos e elas nem tinham começado o delas.
-Mas já? – perguntou Catarine assustada.
-Sim.- falei enquanto dava uma mordida no Mc Chicken
-Você já viu quem tá alí Natalie?- disse Bella, me fazendo olhar para onde ela estava olhando.
-Ai meu deus, eles tão vindo aqui.- Niall, Louis e Zayn.- Não faz nada.
Bella fez um sinal para eles se sentarem conosco, Catarine bufou, porque Louis estava lá, isso tá parecendo encontro de casais.
-Bella o que você tá fazendo?- cochichei em seu ouvido.
-Eu estou apenas te dando uma mãozinha- disse me olhando com aquela cara de “Não me agradeça agora, eu sei que você quer”- Oi meninos, o que vocês estão fazendo aqui?
-Vinhemos só andar, Niall quis parar para comer alguma coisa.- disse Zayn, que não tirou os olhos de Bella por um segundo.
Niall estava com 3 Hamburguers, 2 batatas fritas e um milk-shake enorme. Ele não tirava os olhos de mim, e eu nçao tirava meus olhos dele.
-Posso me sentar aqui?- puxou a cadeira do meu lado.
-P-pode. – sorri e senti minhas bochechas esquentarem.
Ficamos conversando por um bom tempo, e eu fui perdendo a timidez. Tudo parecia estar normal: Catarine e Louis brigando, Bella e Zayn no maior climão, e eu e Niall... comendo.
-Falar tanto me deixou com sede.
-Quer um pouco do milk-shake?- sério mesmo? Ele querendo dividir comigo? Isso é raro de se ver, ele nunca divide comida com ninguém...
-Mas Niall, ele é seu...
-Não tem problema, ele é grande o bastante para nós dois... – disse botando outro canudo no copo.
-Se você diz.
Tomamos o milk-shake ao mesmo tempo, como aqueles casais dos filmes, ah... quem me dera sermos um casal. Pude olhar seus olhos azuis bem próximos dos meus, como nunca estivemos antes, e uau, que olhos. Ele me fitava com eles, me deixando sem graça e dando sorrisos involuntários, e ele fazia o mesmo quando percebia que eu estava olhando para ele. Nossas bocas estavam exatamente a 5 cm de distância, o que me deixava louca.
-Hummm, Niall dividindo a comida com alguém? Que milagre é esse?Isso é mais raro que uma arara azul – disse Bella, provocando.
-Verdade, eu tenho medo de roubar comida dele e ele me bater... – disse Zayn.
-Hummmm, comigo você não divide né Niall? – aquilo só podia ter saído da boca do Louis, claro. – Natalie e Niall se beijem logo- ele pareceu piscar e dar um sorriso cumplice para o Niall
Eu e ele ficamos verdadeiros pimentões, sem dizer nada, só olhando um pra cara do outro, esperando uma ação. E se ele não gostar de mim? Esse é o problema. Não quero beijar ele e levar um pé na bunda. Eu o amo... Mas sou muito insegura. Sou do tipo que fica vermelha quando te elogiam, ou que desvia o olhar quando alguém te olha nos olhos e que nunca está satisfeita consigo mesma. Talvez um dia role algo entre nós, e quando acontecer vai ser perfeito, sem pressa, sem gente pressionando para acontecer... Mas por enquanto vamos continuar só na amizade.Nós despedimos dos meninos e fomos para casa, notei que o olhar do Niall havia ficado um pouco triste, mas deve ser só impressão minha.